
O que têm em comum Spy Kids, Os Robinsons, Beowulf e agora este filme-concerto U2 3D? Uma dor de cabeça.
Mas também o facto de serem o último grito da tecnologia 3D no cinema. Na sala, aguarda-nos um par de óculos mágicos.
Já não são os de lente azul e vermelha como nos anos 80 – quando Portugal parou em frente à televisão para ver O Monstro da Lagoa Negra entrar-lhe pela casa adentro – mas conferem ao mais grunho dos espectadores um ar de intelectual revolucionário: armação negra, lentes vagamente escurecidas. Ninguém diz que se está ali para um momento de puro, acéfalo, entretenimento.
Colocados os óculos, espera-se passar pela experiência U2 3D como quem a viveu na realidade, ou seja, como quem percorreu a digressão dos U2 pela América do Sul, entre 2005 e 2006, e apanhou bocadinhos de concertos em vários países: Brasil, Argentina, México e Chile.
Mas a viagem vai mais além: o efeito torna o espectador parte do espectáculo. Não estamos apenas no meio da multidão mas, a qualquer o momento, temos – através de 18 câmaras, cada uma operada por cinco pessoas – a sensação de estar em palco com o vocalista Bono.
Mesmo ali à mão de ser apalpado. U2 3D é, no entanto, não mais do que uma exibição tecnológica.
Como em Beowulf, a animação de Robert Zemeckis, é um produto ao serviço do espalhafato. Isso não constitui necessariamente um problema mas, emocionalmente, distancia-nos que estamos a ver e, virtualmente, a viver.
É um bom concerto dos U2 (e faz sentido que sejam eles, sempre na vanguarda, a protagonizar a experiência), com alguns dos clássicos que toda a gente conhece e a mensagem política apaixonada que caracteriza o discurso de Bono.
Através dos óculos mágicos, porém, nada disso fica na memória, muito menos a sensação de que estivemos realmente num concerto. A memória é a do espanto.
E esse olhar de boi para palácio (de que, no futuro, nos iremos rir como nos rimos hoje do ZX Spectrum) entra com todo o mérito para a História, apesar de ensombrado por aquela dorzinha de cabeça que subsiste, apesar de menos incómoda do que no tempo da lente azul e vermelha.
Ainda assim, numa altura em que a música é cada vez menos física, valham-nos os encontrões, o suor, a poeira, o momento único dos concertos de carne e osso.
Mas também o facto de serem o último grito da tecnologia 3D no cinema. Na sala, aguarda-nos um par de óculos mágicos.
Já não são os de lente azul e vermelha como nos anos 80 – quando Portugal parou em frente à televisão para ver O Monstro da Lagoa Negra entrar-lhe pela casa adentro – mas conferem ao mais grunho dos espectadores um ar de intelectual revolucionário: armação negra, lentes vagamente escurecidas. Ninguém diz que se está ali para um momento de puro, acéfalo, entretenimento.
Colocados os óculos, espera-se passar pela experiência U2 3D como quem a viveu na realidade, ou seja, como quem percorreu a digressão dos U2 pela América do Sul, entre 2005 e 2006, e apanhou bocadinhos de concertos em vários países: Brasil, Argentina, México e Chile.
Mas a viagem vai mais além: o efeito torna o espectador parte do espectáculo. Não estamos apenas no meio da multidão mas, a qualquer o momento, temos – através de 18 câmaras, cada uma operada por cinco pessoas – a sensação de estar em palco com o vocalista Bono.
Mesmo ali à mão de ser apalpado. U2 3D é, no entanto, não mais do que uma exibição tecnológica.
Como em Beowulf, a animação de Robert Zemeckis, é um produto ao serviço do espalhafato. Isso não constitui necessariamente um problema mas, emocionalmente, distancia-nos que estamos a ver e, virtualmente, a viver.
É um bom concerto dos U2 (e faz sentido que sejam eles, sempre na vanguarda, a protagonizar a experiência), com alguns dos clássicos que toda a gente conhece e a mensagem política apaixonada que caracteriza o discurso de Bono.
Através dos óculos mágicos, porém, nada disso fica na memória, muito menos a sensação de que estivemos realmente num concerto. A memória é a do espanto.
E esse olhar de boi para palácio (de que, no futuro, nos iremos rir como nos rimos hoje do ZX Spectrum) entra com todo o mérito para a História, apesar de ensombrado por aquela dorzinha de cabeça que subsiste, apesar de menos incómoda do que no tempo da lente azul e vermelha.
Ainda assim, numa altura em que a música é cada vez menos física, valham-nos os encontrões, o suor, a poeira, o momento único dos concertos de carne e osso.

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